Unidade: Centro Integrado Nossa Senhora de Fátima
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Agosto Lilás: a violência contra a mulher e o impacto na saúde mental
O mês de agosto é o período escolhido para trazer visibilidade a um tema importante e muito presente atualmente, a violência contra a mulher. A campanha intitulada de Agosto Lilás busca intensificar a divulgação da Lei Maria da Penha e divulgar a rede de atendimento à mulher em situação de violência, principalmente a doméstica.
No entanto, é importante olhar a situação por outra perspectiva e mostrar como a violência contra a mulher causa impacto na saúde mental, desencadeando transtornos mentais comuns, como a depressão e a ansiedade.
Conhecer a relação entre a violência contra a mulher e a saúde mental é uma forma importante de quebrar estigmas e crenças equivocadas sobre o assunto, portanto, traremos mais informações a seguir.
Como a violência contra a mulher afeta a saúde mental
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), as mulheres que sofrem violência doméstica têm duas vezes mais chances de desenvolver depressão e quase duas vezes e meia mais chances de experimentar transtornos de ansiedade comparadas àquelas que não sofrem violência.
A Organização Mundial da Saúde também aponta que o risco de desenvolvimento de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é significativamente maior entre mulheres que sofreram violência sexual e física, e que a probabilidade de considerar e tentar o suicídio também é presente nesse tipo de situação.
Vivenciar experiências traumatizantes causa um trauma profundo em suas vítimas, principalmente pelo ambiente de terror e insegurança que se torna rotina e leva à hipervigilância. No entanto, existem outras razões que afetam a saúde mental profundamente, como a desvalorização e a manipulação presente nesse tipo de situação, que gera sentimentos de inutilidade, baixa autoestima e perda de identidade.
O isolamento social também é bastante comum, seja por culpa e vergonha da vítima, ou por exigência do abusador, e intensifica o sentimento de solidão e desamparo.
Transtornos mais comuns em casos de violência doméstica
Embora os transtornos mentais sejam comuns em mulheres vítimas de violência doméstica, eles podem variar dependendo de cada caso e pessoa. A seguir, falamos sobre os transtornos mais prevalentes nesses casos.
Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
É uma condição de saúde mental que se manifesta após uma pessoa vivenciar ou testemunhar eventos traumáticos, como violência física ou sexual. O transtorno é caracterizado por flashbacks, pesadelos, ansiedade severa e pensamentos incontroláveis sobre o evento traumático.
A condição também causa alterações no humor e na cognição, memórias fragmentadas, sentimento persistente de culpa, perda de interesse nas atividades do dia a dia e isolamento social.
Depressão
Vítimas de violência doméstica vivenciam experiências que tem um potencial devastador de causar depressão, por sobrecarregar a capacidade de enfrentamento da pessoa. Os sintomas da doença podem incluir sentimentos persistentes de tristeza, vazio ou desesperança, falta de interesse ou prazer em atividades antes prazerosas, insônia ou sono excessivo.
Ansiedade
Viver em um ambiente onde a violência pode ocorrer a qualquer momento cria um estado constante de alerta e medo. A incerteza sobre quando e como ocorrerá o próximo episódio de abuso pode levar a uma ansiedade crônica.
Os principais sinais de ansiedade incluem preocupação excessiva com a própria segurança e a segurança de entes queridos, episódios repentinos de medo intenso, sentimento constante de tensão e evitamento de pessoas, lugares ou situações que podem lembrar o abuso.
Transtornos de Ansiedade Social
A ansiedade social é um transtorno crônico em que as interações sociais causam uma ansiedade irracional. Estar em uma situação de abuso, seja físico ou emocional, pode desencadear esse problema por afetar a capacidade de interação social e a autoestima das vítimas, gerando o sentimento de culpa, vergonha e desamparo.
Os sintomas da ansiedade social incluem medo excessivo e irracional de ser julgado, humilhado ou rejeitado em situações sociais, suor excessivo, tremores, náusea, palpitações e tensão muscular em situações sociais, além do evitamento de eventos sociais, encontros ou qualquer situação em que possa haver interação com outras pessoas.
Outros tipos de transtorno que podem se manifestar em vítimas de abuso doméstico são transtornos alimentares, abuso de substâncias como o álcool e outras drogas, comportamentos autolesivos e autodestrutivos, problemas de relacionamento e até mesmo problemas de saúde física.
Tipos de tratamento e intervenção
Os transtornos mentais em vítimas de abuso doméstico são complexos e podem se manifestar de diferentes maneiras, dessa forma, os tratamentos precisam considerar a individualidade de cada caso e ser multidisciplinar.
Embora seja de extrema importância que a vítima entenda sua condição e investigue seus sintomas, apenas um profissional de saúde mental, incluindo médicos psiquiatras, psicólogos e terapeutas, são capazes de identificar um transtorno. Portanto, o primeiro passo é não se autodiagnosticar e tampouco se automedicar. As intervenções médicas dependem de cada transtorno e podem incluir:
- medicação;
- psicoterapia;
- terapias em grupo;
- atividades recreativas;
- atividades físicas;
- internação psiquiátrica, em casos mais graves.
Além do tratamento físico e mental, também pode ser necessário procurar por outros tipos de intervenção, como o aconselhamento jurídico e social, programas de reabilitação e reinserção social.
Se você passou ou passa por uma situação de violência doméstica e está enfrentando dificuldades de saúde mental, procure ajuda médica! Nas Irmãs Hospitaleiras, você pode agendar uma consulta com o médico especialista e iniciar seu tratamento.
Se você conhece alguém ou está vivenciando uma situação de violência doméstica, existem diversos serviços que que oferecem apoio, aconselhamento e abrigo:
- Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180: oferece orientação sobre direitos e serviços para mulheres em situação de violência. Ligação gratuita, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.
- Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM): Atendimento especializado para registro de queixas e orientação. Consulte a delegacia especializada mais próxima em sua cidade.
- Disque 100 - Direitos Humanos: Recebe denúncias de violação dos direitos humanos, incluindo violência doméstica. Ligação gratuita, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.
- Ministério Público: Oferece apoio jurídico e pode ajudar com medidas protetivas.
- Casa da Mulher Brasileira: Centros de atendimento integrado para mulheres vítimas de violência, oferecendo serviços de saúde, assistência social, delegacia, entre outros. Consulte a Casa da Mulher Brasileira mais próxima em sua cidade.