Unidade: Centro Integrado Nossa Senhora de Fátima

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Testemunhos que Curam – “André” (nome fictício)

Para preservar a identidade do paciente, utilizamos um nome fictício.

Nesta edição do Testemunhos que Curam, compartilhamos a história de André, que encerra seu período de tratamento com um sentimento de alívio, gratidão e esperança.

Ao longo de sua trajetória, ele encontrou no acolhimento da equipe, na convivência com outros pacientes e nas atividades oferecidas pelo serviço importantes ferramentas para seguir em frente. Seu relato também revela conquistas que vão além do tratamento: recuperar documentos, reconstruir vínculos familiares e voltar a se sentir parte da sociedade.

1. Como você se sentiu ao receber a notícia da sua alta?

Eu me senti aliviado. Depois de três meses aqui, vivendo todo esse processo e conseguindo me manter limpo, receber a notícia da alta foi muito bom. Foi uma notícia que me deixou muito feliz e aliviado.

2. O que mais te ajudou durante o seu período de internação?

Foi a equipe, mas também os momentos de convivência e as atividades. Os passatempos, como jogar dominó, e o convívio com pessoas que têm histórias parecidas com a minha ajudaram muito no dia a dia.

Também tive muito apoio da equipe técnica. A psiquiatra Ana Carolina é uma pessoa que me entende muito bem, o psicólogo Felipe sempre conversa comigo e a assistente social também me ajudou bastante. Tudo isso tornou o período aqui mais tranquilo e me ajudou a seguir no tratamento.

3. Teve algum momento ou atitude da equipe que marcou você de forma especial?

Um momento que me marcou muito foi quando a equipe nos levou ao circo. Eu nunca tinha ido a um circo, então foi uma experiência muito especial.

Foi muito legal assistir ao espetáculo e até ser chamado por uma criança para subir ao picadeiro. Para muitas pessoas pode parecer algo simples, mas, para quem não teve a oportunidade de viver essas experiências, é uma novidade muito grande.

Também tivemos oportunidades de ir ao cinema e participar de outras atividades. São momentos que ficam marcados porque nos permitem viver coisas diferentes e descobrir novas possibilidades.

4. Como foi para você o cuidado recebido durante a sua permanência no hospital?

Foi ótimo, principalmente por parte da equipe de enfermagem. Todos são muito carinhosos e atenciosos, assim como a equipe multidisciplinar.

Durante esse período, aconteceu uma situação em que um rapaz trouxe maconha e eu acabei fumando. Fui o primeiro a procurar meu psicólogo e depois conversei com a psiquiatra. Eu fui sincero e disse: “Eu errei, fumei maconha”.

Eles conversaram comigo, me orientaram e eu fiquei 15 dias sem realizar saídas, como parte do meu processo de aprendizado. Depois desse período, quando voltei a sair e vi outras pessoas usando e bebendo, não senti vontade nenhuma.

Acredito que isso também foi resultado do cuidado, do respeito e do carinho que eles têm com cada pessoa aqui.

5. O que mudou para você após esse período de tratamento?

Praticamente tudo.

Quando cheguei aqui, estava sem documentação e também tive problemas com meu auxílio. Alguém havia conseguido pegar quatro parcelas do meu benefício. Foi um momento muito difícil, porque aquele dinheiro seria importante para eu conseguir me reerguer.

Mas, naquele momento, pensei que precisava continuar meu tratamento. Consegui resolver a situação no dia seguinte e comecei a reconstruir minha vida. Com o dinheiro que recebi, comprei um celular e coloquei nele os aplicativos necessários para ter acesso aos meus documentos.

Hoje, quando saio, pego um ônibus ou o metrô, já me sinto parte da sociedade novamente. Não sinto mais aquele pânico. Consigo conversar com as pessoas, sair, comprar uma roupa nova, um tênis novo. São coisas simples, mas que representam uma vida nova para mim.

6. Que palavra ou sentimento define sua experiência aqui no hospital?

Gratidão.

Gratidão por todos que estão aqui. Cheguei de outro serviço, estava triste, e encontrei aqui muitas pessoas que me acolheram.

As atividades, o karaokê aos domingos, o cinema, a academia… Tudo isso fez parte desse recomeço. Ter um café, um almoço, uma janta, uma cama para dormir e um banho quente também são coisas que passei a valorizar muito.

Sou grato a Deus, às irmãs, à enfermagem, à terapia ocupacional e a todos os funcionários que fizeram parte dessa caminhada.

7. O que você gostaria de dizer para a equipe que cuidou de você?

Que Deus abençoe todos vocês e que muitas outras vidas possam chegar até aqui para serem cuidadas.

Acredito que Deus usa essas pessoas na Terra para cuidar de outras pessoas. Só tenho a agradecer por tudo o que fizeram por mim.

8. Que mensagem você deixaria para outras pessoas que estão em tratamento neste momento?

Não desistam. Enquanto existe esperança, é preciso continuar lutando.

As drogas podem destruir muitas coisas, mas é possível buscar tratamento e reconstruir a vida. É importante continuar o tratamento, voltar a conviver com a sociedade e, quando possível, reconstruir os vínculos com a família.

Eu mesmo consegui voltar a conversar com a minha família. Hoje eles sabem que estou bem e que estou em tratamento.

Minha mensagem é: não desistam. A dependência exige cuidado e tratamento contínuos. Busquem ajuda, valorizem os profissionais, a espiritualidade e, principalmente, aprendam a se amar.

Porque, antes de qualquer coisa, você precisa cuidar de si mesmo.

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