Unidade: Centro Integrado Nossa Senhora de Fátima

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Testemunhos que Curam – “Henrique” (nome fictício)

Para preservar a identidade do paciente, utilizamos um nome fictício.

Nesta edição do Testemunhos que Curam, compartilhamos a história de Henrique, que conclui uma importante etapa de sua jornada de reabilitação com a certeza de que a transformação é possível. Ao longo do tratamento, ele encontrou ferramentas para compreender melhor sua própria história, fortaleceu sua rede de apoio e desenvolveu um novo olhar sobre si mesmo e sobre o futuro.

Em seu relato, Henrique destaca a importância do autoconhecimento, da fé em si mesmo e da coragem de renunciar aquilo que já não faz sentido para construir uma nova vida.

1. Como você se sentiu ao receber a notícia da sua alta?

Foi uma sensação muito especial e cheia de significados. Senti um misto de alegria, alívio e realização. Quando olho para toda a minha trajetória e vejo o tempo que consegui permanecer abstinente graças ao tratamento, percebo o quanto isso representa um grande avanço.

Esta foi minha primeira internação, e desde o dia 1º de janeiro estou abstinente. Antes, permanecer tanto tempo longe das substâncias parecia algo praticamente impossível. Receber a notícia da alta mostra o quanto esse processo foi importante e o quanto valeu a pena cada etapa vivida. Hoje, vejo isso como uma grande conquista.

2. O que mais te ajudou durante o seu período de internação?

Muitas coisas contribuíram para o meu processo, mas acredito que a principal delas foi o autoconhecimento.

Através do acompanhamento psicológico, psiquiátrico e de toda a equipe, consegui entender melhor minha história e identificar os motivos que me levavam ao uso de substâncias. Essa clareza fez toda a diferença.

Além disso, a fé, não apenas religiosa, mas a crença de que eu seria capaz de mudar, foi fundamental. Quando você acredita no seu potencial e encontra pessoas que também acreditam em você, o caminho se torna mais possível.

Outro ponto muito importante foi reconstruir minha rede de apoio. Ao longo dos anos, perdi muitos vínculos, mas durante a reabilitação consegui me reconectar com minha família e com pessoas que realmente fazem diferença na minha vida.

3. Teve algum momento ou atitude da equipe que marcou você de forma especial?

Não consigo destacar apenas uma pessoa ou um momento específico.

O que mais me marcou foi perceber a humanidade presente em cada profissional. Cada um tem sua própria história, seus desafios e aprendizados, e isso se reflete na forma como cuidam das pessoas.

Vejo muitos profissionais que transformaram suas próprias dores em aprendizado e acolhimento para os outros. Isso me inspirou muito ao longo do tratamento.

4. Como foi para você o cuidado recebido durante a sua permanência no hospital?

Foi excelente.

O cuidado começou antes mesmo da minha chegada aqui, quando decidi buscar ajuda. E, ao chegar às Irmãs Hospitaleiras, encontrei profissionais extremamente preparados e acolhedores.

Desde a equipe de enfermagem até a equipe multidisciplinar, todos estavam sempre disponíveis para ajudar. O mais bonito é perceber que, mesmo enfrentando suas próprias dificuldades pessoais, eles continuam dedicando tempo e atenção ao cuidado do próximo.

Sou muito grato por tudo o que recebi aqui.

5. O que mudou para você após esse período de tratamento?

Muitas coisas ainda estão mudando.

Hoje consigo ter mais clareza sobre minhas escolhas e compreender melhor as consequências das minhas ações. Passei a enxergar minha vida com mais responsabilidade e consciência.

Aprendi a olhar além do momento presente e a entender que as decisões de hoje constroem o futuro que desejo viver.

6. Que palavra ou sentimento define sua experiência aqui no hospital?

Renúncia.

Sinto que precisei renunciar muitas coisas que já não faziam sentido para a minha vida.

Foi como deixar para trás roupas que não serviam mais. Abandonei comportamentos, pensamentos e hábitos que me limitavam, abrindo espaço para novas possibilidades e novos caminhos.

Hoje vejo que essas renúncias têm gerado frutos muito positivos.

7. O que você gostaria de dizer para a equipe que cuidou de você?

É difícil traduzir em palavras.

Mas eu diria um sincero "muito obrigado". Cada profissional deixou uma marca na minha trajetória e contribuiu, de alguma forma, para tudo o que estou construindo hoje.

Cada orientação, conversa e demonstração de cuidado teve um impacto importante na minha vida. Sou profundamente grato por isso.

8. Que mensagem deixaria para outras pessoas que estão em tratamento neste momento?

Cada pessoa tem sua própria história e seu próprio tempo de recuperação.

Minha mensagem é: continuem. Se apeguem àquilo que faz sentido para vocês e entendam que o tratamento é um processo.

Estar em tratamento não significa retroceder; pelo contrário, é uma oportunidade de crescimento. Haverá dias difíceis, momentos de tristeza, angústia e vontade de desistir. Mas esses momentos passam.

Foi assim comigo. Hoje consigo olhar para trás e perceber o quanto valeu a pena continuar.

Um dia de cada vez.

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